Dois Pontos de Vista

 

 

Anúncios

Resposta ao Silêncio

Há quem diga como há quem ouça com os olhos, metáfora de todos os sentidos, e um silêncio, uma ausência inesquecível tanto quanto a presença, se faz um instante suspenso, um senso de gravidade com sabor de ponto de interrogação, um momento de certeza sob suspeita feito disparo precipitado. Um tempo carregado de amargor que no chão deixa marcas em direção a lugar nenhum. Inútil seguir mesmo pelas pegadas dos olhos, tão traiçoeiros que nos fazem criar uma distância imprecisa, erro de tempo, não de espaço. Tempo a ensinar ser preciso mais que paciência para compreender e agir diante do estar de cada ser. E um momento perdido, não sentido, um vão sem espaço, adverte sobre a preciosidade de cada gesto, sobre a raridade de cada ação. Somente o tempo pode ser o fiel e sábio narrador da história das faltas e seus significados, bem como sobre o não estar e o não haver respostas, mesmo para os pedidos mais singelos.

Mas a vida não vive de respostas, vive indiferente e sem querer, seguindo seu curso, ora feito liberdade arredia, ora feito claustro resignado. A vida pulsa com sua força e nos convida a domá-la, fera de espelho, selvagem verbo a nos revelar quê, para se estar à altura do ato da carne que sente e que pensa, é preciso estar além de si mesmo, e muito pouco ainda é sentir e pensar para compreender a real dimensão dela, seu verdadeiro mistério. A vida fere e faz dor bem como acaricia e faz prazer, deixa suas marcas indeléveis com a naturalidade de um grito primário e de um sorriso findo, vai adiante tal e qual árvore andante que se perpetua ofertando sementes diferentes de sua origem, pedindo novas flores e novos frutos, sem se esquecer do cuidado para que se perceba estar na diferença a beleza que seduz a igualdade, provocando a lógica com o caos, impregnando nas almas irascíveis a falta de sentido e de razão. Porém, diante da falta, é necessário se ter uma benevolência rebelde, uma aquiescência transcendente, um corte no nada para que tudo seja descoberto como a paz posterior à guerra, a paz que toma de assalto um coração sabedor de que a vida se faz eterna não apenas após a morte, mas principalmente depois de si mesma, fazendo assim o sentido e a razão que muitas vezes somente a presença da ausência é capaz de nos tocar, pedindo a continuidade do caminho.

Todavia nem tudo se faz caminho. Às vezes, os encontros se perdem, os afetos se estranham, as lembranças se esquecem. Muitas vidas passam pela nossa própria e fazem desfigurar em nós a imagem daqueles e daquelas que nos foram tão importantes, e deixar esses retratos íntimos guardados num canto qualquer de sentimento, tal como uma armadilha à espera de uma surpresa, se torna tão perigoso quanto crer numa coincidência. Causa mais angústia um laço desfeito que uma corda arrebentada. Um único fio de esperança se torna dolorosamente insuportável diante de um frágil bem-querer esquecido e perdido, temeroso de que o destino tome as rédeas de quem deveria dominá-lo e aparte seu dono do dom de estar próximo de quem tão perto foi, mas tão longe está. Não longe, então, a distância não quer dizer esquecimento, pois alguns sentimentos não podem ser entendidos, apenas obviamente sentidos. Espero que Deus nunca permita que eu me esqueça de você, ??? ?????????.

Amar é…

Amar é ser prestativo sem qualquer segunda intenção.


Amar é entender quê, para uma criatura do gênero feminino,
mais importante que ouvir é ser ouvida.
Não importa o que um homem tem a dizer para ela
porque jamais será mais importante que o que ela tem a dizer para ele.


Amar é acabar com a guerra entre a toalha molhada jogada em cima da cama
e a calcinha lavada pendurada na torneira do chuveiro.


Amar é fazer de um sussurro uma declaração.


Amar é perder o sono buscando uma resposta
para uma discussão de relacionamento.


06 - Amar é... - 07 (PSE)

Amar é sentir saudade das noites de discussão de relacionamento.


Amar é plantar a alegria na dor.


Amar é não ter medo de se jogar.


Amar é ter no rosto, ao mesmo tempo, riso e choro.


Amar é ela fingir que não manda e ele fingir que não obedece.


Amar é caçar um motivo para brigar só para, depois, pedir perdão e fazer as pazes.


Amar é fazer do sofá um porto.


Amar é querer desenhar no céu o que está tatuado nas almas.


Amar é descobrir que uma das melhores partes de um relacionamento
não é conhecer o corpo de uma mulher durante o sexo,
e sim a alma de uma mulher durante o amor.


Amar é para sempre.

Muitas Coisas em Poucas Palavras

Olhos
para o céu cheio de estrelas
do mar.

Rosa-dos-ventos
para jardins suspensos não caírem
em si.

Bússola
para ancorar nuvens
de algodão.

Lei
para assegurar guarda
chuva.

Latim
para a cólera dos caninos
e de todos os outros dentes.

Demônio
para corromper o fiel
da balança.

Agulha
para desfazer nó
em pingo d’água.

Peneira
para tomar sopa
de letrinhas.

Rima
para condenar versos
livres.

Batom
para escrever poesia no céu
da boca.

Co-oração
para morrer de saudade
do seu sorriso.

Absurdo
para enxergar
o óbvio.

Many things in few words, ??? ?????????.

Literatura e Filosofia

??? ?????????, era o seu verso e a minha frase se misturando, se encontrando e se perdendo, poesia romântica ou romance poético não sabendo, não sabendo, mas sentindo muito, sentindo muito prazer, prazer por transformar a leitura em fazer sem qualquer pudor por não rimar prazer com amor. E passávamos da literatura à filosofia num piscar de sussurros quando a verdade do meu imoralismo questionava a falsidade da sua candura e, antes que os seus olhos derramassem um gemido, eu retocava o seu sorriso. Brigávamos só para fazer as pazes, só para que a cama fosse uma página onde o perdão abraçava o arrependimento. Como era bom quando líamos e escrevíamos um no outro um ato de amor ao conhecimento…

Algo Perdido

Talvez, por minha culpa e algumas coisas entre nós terem ficado mal viradas, não sei por onde começar, mas preciso, seja começo, meio ou fim, descobrir onde está o que um dia perdi.

Lembro-me de ter dito a você que a maior distância entre duas pessoas é o silêncio. Lamento e me arrependo de alguns erros graves que cometi e me afastaram de você e da sua família. Lembro-me da vergonha que senti, e ainda a sinto, por cometê-los e estar vivendo ainda a (in)consequência deles. Lembro-me também de ter prometido a você estar próximo, de alguma forma, e não me esqueço de não o ter conseguido fazer. Sempre havia sido forte para encarar as vicissitudes que todos enfrentamos, mas não consegui estar nem mesmo em mim quando algumas coisas aconteceram, tiraram o meu chão. Ainda assim, deveria estar perto de quem tão bem me quis e o fez a mim, e não consegui.

Lembro-me de ter dito a você que a distância que afasta é a mesma que aproxima. Quando consegui reencontrá-la, o tempo já havia feito perder as mãos e os pés, o jeito. O jeito de escrever e caminhar nos seus olhos. Vaso quebrado e leito de rio… Recomenda a prudência não tocar no que foi quebrado, para não o partir de uma vez por todas. Recomenda a prudência deixar a poeira cair em leito de rio, para que não fique turvo onde a corrente precisa ser clara. Nunca pensei que por um tempo não saberia o que dizer a você, como e quando. Nunca pensei sentir quem foi tão perto estar tão longe dos meus olhos.

Lembro-me de ter dito a você que o tempo tanto cura quanto envenena. Algumas coisas aconteceram, outras não. Perdi tantas coisas e pessoas quê, para explicar o porquê, precisaria de uma agulha, para costurar desculpas esfarrapadas, porque as justificativas se perderam no fio da meada. As ausências ensinaram a mim que o ser humano sofre porque espera, espera de esperar e esperança, porém não acredito quê, algum dia, aprenda a lição. O tempo não é capaz de ensinar a mim o que não sei deixar de sentir. E agora, que vejo você tão perto outra vez, ainda tenho receio de que uma mensagem se transforme num mal-entendido, não sei o que fazer para que as minhas palavras possam tocar o seu coração.

Gostaria de não ter um jeito tão complicado de dizer algumas coisas tão simples. Sei que o momento não é bom para você e ele também não o é para mim. A minha tormenta ainda não terminou e continua a me castigar. Não sei qual poderia ser o melhor momento para lhe pedir algo de que não me lembro se um dia pedi a uma mulher, mas espero que não seja tarde demais. Lamento que o meu egoísmo, a minha vaidade cardíaca, o meu mau jeito para (des)fazer algumas coisas e dizer outras, o meu silêncio, a minha distância e o meu tempo tenham destruído, acredito eu, a mais bela afeição com a qual poderia sonhar e que jamais poderia merecê-la. Espero que não seja tarde demais para descobrir onde está o que um dia perdi, a nossa amizade. Espero que você me perdoe por tudo o que de errado fiz. Se você soubesse o quanto a admiro…

Sei que somos prescindíveis um ao outro, que nossos cotidianos não se encontram mais, que nossos caminhos vão para lugares diferentes, mas gostaria de ler o seu sorriso outra vez, e não sei se você o permitiria. Gostaria de poder ter dito a você, nos seus olhos, o que escrevi. Espero não estar sendo indelicado, inoportuno e inconveniente, pois não encontrei outro meio além deste. E ainda que a vontade do coração possa se transformar no desgosto da razão, prefiro correr riscos a ser corrido por eles e não quero deixar para amanhã o que deveria ter sido feito há tanto. Quanto mais for amanhã, mais ontem acredito que um laço fraterno possa se afastar de mim, transformando a ausência do seu sorriso num nó cego no meu peito. E ainda que não possamos conversar tantas vezes e por tanto tempo quanto um dia pudemos, gostaria de que um dedo de prosa seu pudesse trazer paz ao pé de guerra do meu coração. Ainda há muitas coisas, em mim e ao meu redor, para serem reconstruídas. Não será fácil estar em lugares estranhos, onde jamais imaginei, mas poder reconstruir algumas amizades seria mais que um desejo, um sonho.

Se você não puder ou quiser conversar comigo onde, um dia, sempre nos encontramos, fazer o quê? Fui até onde poderia ter ido. Fui além da vontade de dizer o que está no meu coração. Se puder ou quiser dar o próximo passo, ficarei perdido de tanto me achar…

 

Paz e um carinho sem nome, ????? ??? ????????.